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Posted by on dez 2, 2015 in Giro pelo Mundo, Telescópio | 0 comments

Picnic de Domingo

Ciganos e ciganinhos, não te conto nada mas te conto tudo sobre o Estado Dourado, a Califórnia!!! Mas não pense que a Califórnia se resume a Los Angeles, São Francisco e São Diego, tem mais, muito mais para ver nessa esquina do mundo. Nós adoramos Parques Nacionais, zonas protegidas pelo governo onde podemos ver a natureza intacta bem de pertinho. Califórnia é o paraíso dos Parques Nacionais, são 7 os mais importantes: Redwood, Lassen Volcanic, Yosemite, Kings Canyon, Sequoia, Death Valley and Joshua Tree. Como já tínhamos visitado Redwood há muitos anos fomos ver as novidades e nenhum desapontou.

valleyoffire

Face no Valley of Fire National Park

Um dos nossos favoritos são os parques Kings Canyon and Sequoia pela majestade das árvores sequoia. A árvore General Sherman é a criatura viva mais velha do mundo, com mais de 2500 anos. Caminhar na floresta gigante nas primeiras horas da manhã é como entrar em um mundo encantado, imaginário, felizes os que podem enxergar fadas e duendes… A General Sherman tem 2500 anos, mas as mais jovens de 1000 anos são também bastante impressionantes.

arvore sequoia

Árvore Sequoia

Fiquei feliz em conhecer as sequoias, mas fiquei muito mais feliz quando finalmente, depois de meses de batalha árdua, vi um urso!! E fui submetida a mesma história do leopardo todo mundo que eu encontrava falava: “acabei de ver um urso!!” Uma senhora foi mais além: “acabei de ver um bebê urso!!” Mas chegou a minha vez, vou te contar como foi: ja havíamos saído dos parques, estávamos passando por uma cidade chamada Três Rios quando a Chilli pediu para fazer xixi. O Marc parou na frente de umas casas, atravessou a rua e eu fui fazer um sanduíche na minha cozinha portátil. De repente, o Marc abre a porta e fala: “Você não vai acreditar no que eu vi”; eu já branca de emoção, perguntei; “o que?????”, ele: “Um urso!” Foi tudo muito rápido, o urso saiu de trás da casa, a Chilli latiu para o urso, o urso saiu correndo passou ao lado do nosso carro, atravessou a rua e entrou na mata. Ele era lindo… de mais ou menos 1 ano e meio, gorduchinho, preto e de pelo brilhante. Cigano que gosta de natureza se emociona até com o canto do passarinho ou com o barulhinho que o esquilo faz para avisar os amiguinhos que tem perigo na área.

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Joshua Tree National Park

O nosso próximo favorito foi o Death Valley, o Vale da Morte. Eu imaginava um vale meio morto como diz o nome, mas estava muito enganada, é um dos lugares mais maravilhosos e isolados do mundo, adoro silêncio e lá encontrei um silêncio especial, o silenciar da alma. Me fez lembrar nossos dias inesquecíveis no Kalahari. Não pense que o deserto é morto, no Death Valley você encontra mais de 1000 tipos de plantas e as montanhas ao redor fazem do Vale uma explosão de cores. A cadeira de montanhas Amargosa virou a minha segunda favorita, por que as Dolomites no Norte da Itália ainda levam o título das mais imponentes, na minha opinião. Chegamos no Death Valley, considerado o lugar mais quente do mundo, no final de Outubro, início do inverno, mas as temperaturas ainda estavam bastante altas, entre 30°C  e 32°C. Muita água, chapeuzinho, e a piscina ajudou bastante. Ficamos no camping, mas por U$5 podíamos usar a piscina, adorei, ciganinho às vezes dá sorte mesmo.

Connie no Death Valley National Park

Connie no Death Valley National Park

Já que estávamos tão pertinho fomos a Las Vegas, onde se come muito bem, e a outros dois parques chamados Valley of Fire em Nevada e Zion em Utah. Ciganinhos… me deu um cansaço de ver pedra… Tudo lindo, amo pedra, mas tudo que é demais não é bom, nem pau, nem pedra. Tá na hora de mudar, apimentar, entrar no mar!!!! Atravessar uma fronteira para um novo país sempre envolve um pouco de ansiedade, mas como overlanders estamos acostumados e estudamos muito antes de desbravar um novo posto de imigração. Overlander é aquele que abandona o conforto da sua casa, e viaja por via terrestre por longos períodos de tempo. Tem muitos overlanders na estrada neste exato momento, fazendo viagens muito mais longas que a nossa. Overlanders são meio megalomaníacos, gostam de atravessar todos os continentes, e são muito atentos à detalhes, viagem de verdade tem que ser tipo do Ushui ao Oiapoqui. Nós somos menos exigentes, e nesta viagem estaremos percorrendo a rodovia Pan Americana, mas não fomos ate o início dela no Alaska, muito frio, ciganinha brasileira não gosta… Mas entrar no México foi oficialmente a nossa entrada na Pan Americana. Muita gente nos falou: “Cuidado o México é perigoso!!!” E eu fico pensando com os meus botões: “O Brasil também não é??” Aliás tem gente que escorrega no banheiro e morre, e não é por isso que eu vou deixar de entrar no banheiro. Overlander gosta de correr riscos, e tem muitos neste momento, viajando da Síria (meu sonho dourado, meio destruído, no momento), no Paquistão, África, Ásia, outra rota comum e de Cape Town na África do Sul até o ponto mais a norte da Inglaterra.

Meu amor pelo México não começou quando atravessamos a fronteira, começou um dia que estava caminhando numa praia do Pacífico bem cedinho e quando olhei para trás vi um barco de pescadores ensolarado com muitas gaivotas voando ao redor. Foi lindo, são aquelas fotos que guardamos na memória. Não sei se o amor à segunda vista é melhor que o amor à primeira vista, porque cada amor é diferente, cada momento da vida é único.

Overlander também gosta de festival, tipo Carnaval no Rio de Janeiro, Dia da Virgem de Guadalupe, e vive correndo atrás de uma oportunidade para tirar lindas fotos. Eu não sou diferente, e como entramos no México no final de Outubro, eu sabia que tinha pela frente o famoso Dia de Los Muertos! O meu primeiro contato com essa grande festividade foi o Pan de Muertos, que achei no supermercado em Santa Rosalia. Comprei imediatamente, mas aí veio a dúvida. O pão e para os vivos comerem ou só para as oferendas para os muertos?? Já pensou ciganinho, se eu como um pão que não é meu? Não ia pegar bem, mas finalmente consegui descobrir que estava liberado para nós, os encarnados. O pão parecia a rosca doce da minha Tia Cidinha, já desencarnada, lá das Minas Gerais.

Dirigimos bastante para chegar na Bahia Conception, Baja California Sur, e encontramos o paraíso, a Praia dos Naranjos, um resort rústico com bangalôs, onde pudemos estacionar a 20 metros do mar. Só tinha um probleminha…. Não era perto de nenhuma cidade grande onde o Dia de Los Muertos é celebrado em grande escala, aí ficamos entre a praia e o cemitério, cemitério ou praia?? A praia venceu! Mas se algum dia você quiser ver o Dia de Los Muertos o Lago de Patzcuaro é muito famoso, bem como Mexico City e Merida.

Gaivota passeando no final da tarde

Gaivota passeando no final da tarde

Nossa rotina quando nos isolamos na praia é muito simples, não temos internet nem eletricidade. A nossa televisão é a natureza. De manhã assisto o nascer do sol e a chegada dos pelicanos que passam o dia mergulhando de cabeça nas águas da Bahia comendo sardinhas bebês. Ao por do sol é a vez das gaivotas. Faço snorkling para ver os peixes coloridos e caminhadas para ver os cactus nas mais diversas formas. Nado com os meus cachorros e escrevo artigos para o blog Disse Tudo! E se fico entediada, começo a escutar o vento e o barulho do mar batendo nas pedras. Dizem que ler é um bom passatempo também… Nessas praias isoladas sempre tem vendedores de recuerdos, frutas, legumes e frutos do mar, então não passamos fome. Imagine que em Agios Ioannis, na Grécia, onde passamos 45 dias neste sistema de isolamento espontâneo, a kombi da padaria trazia pão de azeitonas quentinho pela manhã. A cidade mais próxima, Mulege, esta há 20km daqui, mas evitamos o contato com os seres vivos sempre que possível.

praia dos naranjos (1)

Playa Dos Naranjos, Bahia Conception

Não me levem a mal, claro que gosto dos seres vivos, especialmente daqueles que entendem que “Nós não temos muito tempo. A vida é como um picnic num domingo de tarde. Olhar para o sol, ver as coisas crescendo, e respirar o ar puro e uma grande alegria. Mas se todos ficarem brigando sobre o melhor lugar para colocar a toalha, quem vai sentar em qual esquina, quem come a coxa ou a perna do frango, que desperdício! Mais cedo ou mais tarde as nuvens chuvosas vão aparecer, o sol vai se por, e o picnic vai acabar. E tudo que fizemos foi brigar. Pense no que nós perdemos” – Chagdud Tulku.

Hasta La Vista Ciganinhos !

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