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Posted by on dez 12, 2010 in Sem categoria | 2 comments

Não tenho ninguém

Ando melancólica e com autopiedade nas alturas…talvez porque seja final de ano e, todo final de ano, me acomete uma tristeza sem porquê, uma gana de que tudo passe logo e o novo ano comece. Quem sabe seja pela possibilidade de começar tudo de novo, começar aquela dieta, a academia, efetuar mudanças no meu jeito de ser, reformar a casa, terminar de escrever livro, revisar, no meu caso, enfim…todo novo ano é motivo de um novo recomeço.
Hoje recebemos o irmão com a esposa e o filhinho de seis anos, a sobrinha querida e a irmã caçula do meu marido em casa. Saudades grandes, apesar de morarem em Curitiba, aqui pertinho, quase nunca nos vemos, como quase todas as famílias atuais. Imaginem, meu marido tem só 13 irmãos! Chegaram naquelas visitas de um dia, de muita comilança, lavação de louça, crianças brincando, nós mulheres conversando e os homens relembrando a infância.
O dia correu tranqüilo, meu filho adorou o primo que só vira uma vez. Todos ajudaram, ao invés de me deixarem de escrava Isaura, graças a Deus!, fazia um calor infernal, daqueles que só quem mora em Joinville conhece. Tomamos sorvete, tomamos café com panetone e bolacha de natal…
Lá pelas tantas recebi um telefonema do Mathias (meu amigo do coração, que adotei como primo, para nos encontrarmos mais tarde). Desliguei, sentei na cadeira para retomar a conversa na mesa grande e animada e aí percebi olhando aquela cena: que eu não tenho ninguém.
Muitas vezes ouvi alguém falando isso e achava frescura ou crise de alguma idade da pessoa, artimanha para chamar a atenção pensava, com discurso de psicologia barata, apesar da minha formação real acadêmica. Mas agora entendo completamente aquela queixa. Que também não tenho ninguém. Sou filha única. Minha mãe morreu em janeiro. Só tenho meu pai. E um medo imenso que ele se vá. Vou estar só no mundo. Sim, tenho o Kenzo, meu filho, de quase três anos, mas quero que ele vá, na hora certa, viver a vida dele. Fiquei a pensar que a única ligação de sangue que tenho é meu pai e filho.
Lógico, que imediatamente minha mente passou a fazer várias considerações a fim de me confortar, lembrei-me de minhas tias maravilhosas, irmãs de meu pai, minha infância recheada das delícias que elas me faziam, desde comidinhas até dengos…das minhas primas e primos travessos que agüentavam a minha chatice e pouca idade. Pensei nos amigos, na família do Mathias que adotei como tios e primos e eles me adotaram de volta, tamanha carência da moça aqui. Aí lembrei que todos os relacionamentos são vias de duas mãos, que é preciso dar para receber. Que amigos se cultivam, senão a vida, os casamentos, o destino ou as distâncias acabam com tudo, mas que pai e mãe estão sempre ali só nos dando muitas vezes sem nada receber. Como eu queria mais um dia, um minuto com minha mãe, como ela faz parte intrinsecamente de mim e como tenho orgulho disso, como sou grata a Deus por ter um pai maravilhoso e presente em minha vida, do qual posso falar com orgulho e o qual me deixa feliz por ser quem ele é e por eu ter tido a minha história até aqui. Enfim a história que eu pude escrever. Que triste ver quem não tem pai nem mãe, nem nunca teve, tem e finge não ter, tem e não respeita, tem e não ama. Essa pessoa realmente não tem ninguém.

2 Comentários

  1. Ca!!! É isso mesmo! Aproveite bem sua família linda e ame sem limites, pois são muito importantes nessa vida! beijos para eles!

  2. é isso aí, pais são tudo de bom, os meus são 110%, meu alicerce, meu porto seguro, meus amores, meus anjos, meus amigos! Tenho muito orgulho e amor por eles. Fora meus pais lindos, tenho uma irmã que é minha amiga do coração, minha fofa, minha filha e a pessoa que eu mais amo neste mundo! Vamos aproveitar esse final de ano para agradecer tudo de bom que aconteceu em 2010 e celebrar mais um ano novo com a chance de sermos ainda melhores!!
    Um beijão pra você Wilka querida!!

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