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Posted by on jan 4, 2013 in Viver | 2 comments

Começando o ano

céu de Londrina

Começou o ano e me refugiei na casa paterna, como faço todos os anos após o reveillon. Ao chegar, em Londrina, uma onda de saudade, nostalgia e tristeza me recebeu com seus enormes braços abertos. Voltar para minha cidade natal tem um peso enorme, com todos seus cheiros, ruas, lugares, pessoas, rostos e histórias; mas a tristeza disso tudo é a falta da minha mãe e a certeza dos caminhos que não foram percorridos, e eram muitos, em troca das escolhas feitas. Creio que o ser humano sempre sofra das escolhas possíveis, de outros rumos não seguidos, de histórias não vividas. A gente ao menos uma vez na vida se pergunta como teria sido Se…
Me tripudio de perguntas assim, como seria se tivesse terminado o inglês e partido para os Estados Unidos como meu pai queria, como seria minha saúde hoje se eu tivesse praticado mais esporte e outras perguntas que não cabem aqui. Mas a minha dor de voltar sempre é a lembrança de minha mãe que amargou 5 anos de um câncer que lhe deu uma falsa trégua e uma vã esperança e que a carregou após muita oração de que tudo terminasse. É muito triste rezar para a própria mãe morrer. Às vezes me pergunto se era para terminar o sofrimento dela ou o meu, de vê-la sofrendo e não poder fazer nada. A vida é um mistério que traz coisas e acontecimentos que nem sempre compreendemos.
Cavucando no meu arquivo um pouco mais lembro de seu cheirinho, de sua voz fina e aguda me chamando de Kikinha, suas mãozinhas pequenas em torno do meu rosto redondo e seus olhos pequenos e muito fundos me olhando dentro d’alma e me dizendo: mamãe ama você! Aí a ruga da testa dá lugar a um sorriso discreto, quase invisível, de saudade boa. Suspiro fundo para oxigenar as ideias e os rostos do meu passado passam na telinha da minha cabeça, pessoas incríveis, outras nem tanto, mas todas parte da minha vida. Londrina tem um pique diferente de Joinville, onde vivo hoje. Londrina é jovem e alegre, iluminada pelo sol quase constante, de um comércio efervescente de ofertas maravilhosas e serviços fáceis. Aqui tudo parece mais fácil, mais rápido, mais acessível e até mais barato.
Chegando na casa do meu pai, levando as malas para o quarto que era da minha mãe, quase sinto sua presença, seu hálito, seu sorriso. Corro até a janela do quarto dela para olhar o céu, sempre fiz isso aqui, em Londrina. O céu aqui tem uma cor diferente dos outros lugares, era nele que eu procurava consolo e força olhando pelas grades do Hospital Evangélico onde morei com minha mãe por quase 2 anos. Minha relação com o céu é muito interessante. O céu me dá um norte, coragem e vontade de seguir em frente.
Assim, começo meu ano renovando as energias, no ninho familiar, debaixo das asas do meu pai que até hoje me dá mesada, compra o doce que mais gosto, corta frutas para meu café da manhã e me acolhe de todas as formas que se aconchega um filho. Aqui meu céu me dá forças e coragem para seguir o meu caminho e a certeza de que as escolhas foram as certas, ou pelo menos, as que eu pude arcar.
Feliz vida.

2 Comentários

  1. Que lindo e bem escrito texto.
    Emocionei-me ao ler, e fiquei pensando também na minha vida. Nas escolhas.

    Que bom que podes ir e voltar, e ser feliz onde quer que for!

    Beijocas

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