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Posted by on abr 5, 2012 in Comer | 2 comments

Quinta-feira Santa

Desde que conheci esse chocolate me apaixonei. É, sem dúvida, o chocolate mais saboroso que já provei, me leva de volta à minha infância remota, onde os chocolates tinham um papel de destaque e não eram “carne de vaca” como hoje, fáceis, baratos, acessíveis. Os chocolates eram presenteados em ocasiões especiais, os bombons licorosos para os enamorados, os bombons cremosos para as mães nas maternidades, as barras para as famílias no final de semana em frente a TV vendo Rede Globo, os em formato de moedas nas lancheiras das crianças quando tiravam notas altas e os ovos de Páscoa: somente na Páscoa! 

Dessa vez os ovos de chocolate invadiram os supermercados, padarias e outros comércios uma semana após o Carnaval. É isso, como dizem os fervorosos: acaba a festa da “carne” e do pecado e começa a festa da gula. Claro que nós, mães, fazemos de tudo para manter aquela aura deliciosa de época especial, de bacalhau na Sexta-feira Santa, festejar e dançar num baile no Sábado de Aleluia e degustar aquele almoço maravilhoso com a família no Domingo de Páscoa seguido de uma tarde de muitos chocolates e guloseimas, fechando a tarde com a Missa de Páscoa. Para mim isso era um feriado de Páscoa bacana. Mas agora os chocolates pipocam na cara das crianças e o meu filho já está no segundo ovo e vejam: a Páscoa ainda não chegou!
Enfim, o tempo passa, as coisas mudam, evoluem, muitas melhoram outras parecem piorar. Mas o tempo continua sua jornada inexorável, seu tic tac apressado que não nos deixa mais ler um bom livro, sentar numa varanda com um amigo idoso e tomar-lhe as experiências, correr pelo gramado gritando o gol que seu filho acaba de fazer, nem ficar na cozinha no friozinho do outono com aquela amiga irmã testando receitas vistas na Ana Maria Braga pela manhã. 
Então, meu maior desejo de Páscoa não são coelhos de pelúcia, nem ovos de chocolate, mas que eu encontre em mim mesma um lugar aconchegante para me guardar das horas, para que eu possa ter tempo para meus amigos, para bordar uma pano de prato, acabar meu livro sobre a Batalha de Salamina e quem sabe, enganar o tic tac do relógio.

2 Comentários

  1. Lindo texto, Wilka. Essa semana também escrevi uma crônica de páscoa e me lembrei deste mesmo detalhe que você: a raridade do chocolate, o que o tornava especial e parecia mais delicioso ainda.
    Curioso como pensamos de forma parecida, como vemos o mundo por uma ótica tão semelhante…
    Beijo.
    http://www.coisasdadeinhah.com.br

    • Andreia, que delícia ter você por aqui e mais ainda, gostando do meu texto! rs Tudo mudou, não é mesmo?! Beijo

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