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Posted by on jul 28, 2015 in Dança | 0 comments

Uma safra de grande qualidade no balé clássico

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Isabella Rodrigues

O balé clássico mantém-se como o principal esteio do Festival de Dança de Joinville. A safra de bailarinos clássicos desse ano não apenas mantém a tradição de qualidade da, mas já se configura como uma das melhores. Das quatro noites competitivas até aqui, em duas delas houve disputas do clássico, com casa cheia como de costume, público em sua maioria formado por outros bailarinos ou estudantes de dança e um revezamento no palco capaz de provocar sucessivas boas surpresas no público e jurados.

A primeira boa notícia veio com os meninos, que nas variações juniores travaram uma saudável disputa. Parece uma obviedade dizer isso em se tratando de uma mostra competitiva, mas não é assim tão simples. Conseguir um nivelamento “por cima” que dificulte o trabalho dos jurados pela qualidade dos concorrentes é sempre algo para se comemorar. É muito bom assistir a um páreo duro, em que todos os concorrentes chegam com alguns atributos nivelados, como porte físico, postura, correção, limpeza e execução irretocável.

Também as meninas, nas variações juniores, encheram os olhos e as esperanças de novas divas que se pode esperar para o futuro. E empreender, pois o êxito a essa altura (14 a 16 anos) revela que muitas etapas foram vencidas, mas não assegura o fulgor sonhado, que ainda estará a exigir o seu quinhão de suor, dedicação e perseverança.

Já os seniores, tanto masculinos quanto femininos corresponderam ao deslumbre que sempre se espera dos clássicos. Mais que performances, essas minúsculas apresentações revelam uma longa e contínua trajetória formativa, que começa pelo físico que a natureza lhes deu e inclui tanto atributos do caráter do bailarino, quanto o DNA da própria escola. Os conjuntos, se não chegaram a ser arrebatadores, não ficaram a dever correção e apuro nos quesitos técnicos. O mesmo se aplica aos pas de deux, sempre tão esperados e normalmente arrasadores, mas que mostraram-se moderados, porém, mais pelas escolhas de repertório que pela qualidade das duplas.

Além de ser uma safra boa, há diferentes terroirs, o que é ainda melhor. A lista de premiados, além do triângulo Rio-Minas-São Paulo, inclui Goiás, com o Centro Cultural Basileu França, e o Piauí, com o Ballet  Helly Batista. Dentre tantos motivos para comemorar, o balé clássico emplacou uma indicação para as premiações especiais, com Isabella Rodrigues (filha da saudosa e competentíssima, Roseli). Com os resultados já obtidos, o tempo joga a favor. É esperar para ver.

Joel Gehlen

Autor convidado Joel

 

Joel Gehlen – Formado em Jornalismo (UEL), escritor e cronista. Escreve semanalmente no jornal A Notícia. É editor e proprietário na Editora Letradágua. Crítico de teatro e dança, escreveu e publicou os livros Palco da Sagração e Ballet Fotográfico Tatiana Leskova.

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