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Posted by on ago 4, 2013 in Cinema, Entrevista, Gente | 115 comments

Ebner Gonçalves

Um novo curta irá estrear em Joinville nesta segunda-feira, dia 05 de agosto, A Noiva de Tarantino. O projeto, contemplado pelo SIMDEC em 2011, virou realidade e o nosso bate papo é com o fotógrafo Ebner Gonçalves, diretor e idealizador do Noiva.

Ebner com Tutti

Ebner é gaúcho de Porto Alegre, do dia 11 de setembro de 1962. Casado, pai de Stephano Gonçalves. Tem três irmãos: a Evelyse e os gêmeos que trabalharam intensamente no curta, Otavio (figurino e maquiagem) e Augusto (captação de imagens). Minha história com a família começou faz muitos anos, quando conheci o Ebner, que trabalhava com meu marido Joel no jornal A Notícia, depois veio o Otávio, meu amigo de fervo, festas e baladas! O Guto, fotógrafo que trabalhou comigo na peça “De Chiquinha a Chico” registrando nossos bastidores e, enfim, a Evelyse, irmã mais velha e mãe da minha amiga linda Nicole. A família está envolvida no projeto do Noiva, inclusive o filho Stephano.

1984. Florianópolis. Prestou vestibular para Educação Física, mas não ingressou no curso. Começou a trabalhar em banco. Conheceu a fotografia, se encantou e pediu demissão do banco, comprou uma câmera fotográfica e sem trabalho logo ficou sem dinheiro. Literalmente comeu a câmera fotográfica e ficou sem nada. Em 1987, foi fazer estágio num estúdio de publicidade, trabalhando no laboratório para revelar fotos, fazer books em PB, não era sua praia, mas aprendeu muito. 1989 foi sua entrada para o jornalismo, no jornal Santa Catarina, foi trabalhar com foto reportagem. Veio para Joinville em 1990, ingressou no jornal A Notícia onde ficou até 1994.

Em foto jornalismo, é preciso ter a capacidade e a oportunidade de captar um grande momento. O olhar muda. A foto é uma representação verdadeira da luz e do ângulo, ela não representa 100% da verdade

Aqui, em Joinville, percebeu a característica forte de mercado voltado às indústrias, e embarcou no Jornalismo empresarial, trabalhou em agências como a Matriz de Comunicação, Sine Qua Non e Logos. Em 1995, abriu seu próprio estúdio de foto comunicação e focou na fotografia corporativa. Passou a trabalhar para as grandes empresas e é responsável pelos bancos de imagem da Tigre e da Embraco.

ebner e wil

Com Ebner, no dia da entrevista

Sem estrelismo nenhum Ebner me recebeu em seu estúdio, muito querido e falante que é, e na nossa conversa com cafezinho me esclareceu muito sobre o processo que é fazer um filme: “O cinema em Joinville está querendo se fazer em Joinville, é como um neném que está apenas engatinhando, precisa crescer e amadurecer. Tem gente boa trabalhando na área, estamos lutando para construir uma história de cinema em nossa cidade”.

Pergunto sobre as dificuldades, e com um sorriso de quem conhece bem o caminho das pedras, Ebner me diz que a grande dificuldade não é só produzir, mas o maior obstáculo é a distribuição, pois não temos salas para fomentar o cinema na cidade. O filme, depois de produzido, não tem local para exibição e me lembra que muito do que se tem feito de Arte em Joinville é por meio do Simdec, muitos artistas precisam buscar alguma forma de levantar dinheiro para conseguir produzir algo, independente da área de atuação, seja cinema, teatro, música, etc para não viver apenas por meio de leis de incentivo. Mesmo pelas leis de incentivo, muitas pessoas correm atrás de patrocínios e buscam recursos para conseguir terminar o filme, e é notório que o mercado se abra mais para o documentário, pois é palpado na realidade e traz fatos históricos mais fáceis de inserir no circuito comercial.

A primeira experiência com o cinema foi em 2011, com o documentário 1951, em comemoração ao Centenário de Joinville, que estreiou dia 4 de abril de 2011, na Sociedade Harmonia-Lyra. A trilha sonora foi feita por Raimundo José Bernardes e Claudionor Fávero, exclusivamente para o curta. O documentário feito em parceria com Muriel Szym, Maíra Lemos e Giane Maria de Souza, roteirizado e dirigido por Ebner é feito pelos depoimentos de pessoas anônimas. Uma linda homenagem à cidade, já que os joinvilenses que nasceram no ano de 1951, ano do centenário de Joinville, estariam fazendo 60 anos de idade em 2011, ano que o documentário foi lançado.

2012 foi a vez do Nossos Compositores Pioneiros. Ebner dirigiu e escreveu o roteiro que trata sobre a música que os joinvilenses ouviam entre 1900 e 1940. O resgate foi feito pelos compositores Claudionor Fávero e Raimundo José Bernardes em cima de partituras antigas que eles localizaram no Arquivo Histórico. A partir de pesquisas e de entrevistas com pessoas e relacionadas à estes compositores eles selecionaram dez partituras de sete compositores da cidade e as refizeram musicalmente, que estão gravadas no CD A Nossa Música Antiga de Joinville num projeto apoiado pelo Simdec. Compositores joinvilenses do início do século passado, como João Graxa, Pepi Prantl, Rodolfo Kohlbach, Paulino Martins, Anita Kohlbach e Ernani Lopes foram citados no documentário. Assim, no curta, percorreram locações da cidade como a Casa Krueger e os museus, a fim de contextualizar as imagens com as músicas da época.

Sobre A Noiva de Tarantino, seu primeiro trabalho ficcional, fala animadamente que é uma história antiga…Escreveu o roteiro em 2007, mas somente em 2011 o projeto foi encaminhado e aprovado no Simdec. A história já tinha o argumento e o Jura Arruda fez o primeiro roteiro, já com os diálogos e algumas cenas. A referência de Tarantino é a obssessão que a personagem principal tem pela obra do cineasta, que até é uma homenagem ao diretor de Kill Bill, mas quem espera assistir a uma versão do filme terá uma surpresa, já que o enredo é o mais corriqueiro possível: as relações familiares, o amor e o preconceito social.

No curta, seis personagens. Fortes, todos ricamente caracterizados pelo figurino super expressivo de Otavio Maciel, já que o tempo de um curta dificulta o desenvolvimento do perfil psicológico de cada personagem, como é possível num longa-metragem, por exemplo. No Noiva temos cenas de luta vigorosas que foram coreografadas e filmadas sob a consultoria do Sensei Kendi Sato, mestre em Bujutsu. As filmagens propriamente ditas duraram uma semana, com locações em Rio Negrinho e Joinville.

Black (Robson Benta) e Eloís (Cris Nagel)

Black (Robson Benta) e Eloís (Cris Nagel)

Santa (Helena Pereira) e Filho (Vander Tomelin)

Santa (Helena Pereira) e Filho (Vander Tomelin)

Mamba (Fernanda Moreira) e Surya (Miwa Onaka)

Mamba (Fernanda Moreira) e Surya (Miwa Onaka)

Não aguento a curiosidade e pergunto sobre a construção dos personagens, já que minha formação é psicologia; um assunto que me interessa e me intriga ao mesmo tempo, quando se trata de cinema e teatro. A construção do personagem no roteiro e depois a construção do personagem pelo próprio ator. Ebner dá aquela risadinha e diz que um dos personagens existe em carne e osso e está lá no filme…mas que na maioria das vezes buscou características de algumas pessoas que conhece para compor os personagens. Fala da delícia que é fazer ficção, onde elementos da realidade se atrelam e misturam num resultado incrível, mas frisa “fazer filme é uma fábrica de ilusões, que lida com recursos, cronograma, dificuldades e soluções, montagem e edição, mas, mais que isso, e o mais difícil: lida com pessoas e com egos. Isso é real e não ficção!”

Joca e guto 2

Joca Veiga e Guto Gonçalves

Otávio Maciel com atrizes e Stéphano Gonçalves com Adriano

Otávio Maciel com atrizes e Stephano Gonçalves com Adriano Côrrea

A Noiva de Tarantino estreia segunda-feira, dia 05 de agosto, às 21 horas no GNC do Shopping Joinville Garten. Não percam, a entrada é gratuita!

ELENCO:
Fernanda Moreira – Mamba
Robson Benta – Black
Vander Tomelin – Filho
Helena Pereira – Santa
Cristiano Nagel – Eloís
Miwa Onaka – Surya
Janete – Dagmar
30 figurantes da DF Models e Escola de Atores
Participação especial de Jura Arruda – Padre

FICHA TÉCNICA:

Realização – Perceptio Movies

Direção e roteiro – Ebner Gonçalves
Colaboração de roteiro – Jura Arruda, Rafael Costa e Roberta Meyer

Assistente de Direção – Roberta Meyer
Direção de Arte (Rio Negrinho) – Gitta Hosftaetter
Direção de Arte (Joinville) – Otavio Maciel
Direção de Fotografia – Joca Veiga

Finalização e edição – Guto Gonçalves e Adriano Côrrea
Captação de Imagens – Guto Gonçalves
Claquete – Stephano Gonçalves
Microfonia – Boon, Eduardo da Veiga e William Silva
Tratamento de som – Mini Estúdio Esdras
Finalização da trilha sonora – Estúdio Mario Lima
Trilha sonora – Abel Vargas
Elétrica – Roberto Silva
Produção – Rafaela Korb
Making of – Adriano Côrrea
Figurino e Maquiagem – Otavio Maciel
Camareira – Maricleia

PARCEIRAS: Base Digital

APOIO: China in Box, Pizzaria Baggio, Mônica Linz, Hórus Transporte Aéreo.

PATROCÍNIO: Simdec, Carlos da Veiga (ICV)

Sou psicóloga de formação. Depois de alguns anos de clínica abandonei o divã. Fiz Moda e Estilismo. Trabalho com figurino, revisão de textos, gerenciamento de redes sociais, criação de sites e administração de blogs. Casada com um jornalista e escritor. Mãe (coruja) do Kenzo, de 10 anos! Praticante de Pilates e Aikido. Louca por Star Wars, internet e tecnologia.